ZIL 111 Viatura de transporte VIP

ZIL 111 Viatura de transporte VIP
ZIL 111 Viatura de transporte VIP

ZIL 111 Viatura de transporte VIP descrição

Quando Estaline morreu em 1953, a viatura que era também um simbolo do regime, o ZIS-110 era já considerado relativamente ultrapassado, dado afinal, ter sido desenhado nos Estados Unidos em plena II guerra mundial, mais de dez anos antes.

O ZIS-111 Moskva de 1956, inspiração nos modelos Cadillac americanos do anos anterior. O primeiro protótipo foi mostrado ainda antes da denuncia dos crimes de Estaline e do inicio do processo de desestalinização.

Se é verdade que os estudos para a substituição do ZIS-110 já tinham começado, com o protótipo conhecido como «ZIS Moskva», com a morte do ditador e a denuncia dos seus crimes em 1956, a necessidade de desenvolver uma nova viatura de representação para o estado soviético, tornou-se mais importante, já que ao mesmo tempo a viatura ajudaria a projetar uma imagem mais dinâmica e moderna da União Soviética.

Nikita Krutchev: Ao dizer que o ZIL-111 dos camaradas do politburo era igual ao GAZ-13 «Chaika» dos funcionarios do partido, levou a ZIL a modernizar o ZIL-111 e a apresentar o ZIL-111G



Decide-se assim voltar a olhar novamente para os Estados Unidos e para os fabricantes de viaturas de luxo daquele país, para obter inspiração para o que deveria ser a nova viatura de representação do estado.
O primeiro projeto apareceu como modelo «Moskva» e era claramente inspirado nos modelos da Cadillac de 1955.

Em 25 de Fevereiro de 1956 Krutchev denuncia os crimes de Estaline numa sessão fechada do comité central. A partir daí, o culto da personalidade vai ser criticado e a industria automóvel também se torna num reflexo desse processo. As viaturas ZIS ( Zavod Imeni Stalina) passam a chamar-se ZIL (Zavod Imeni Likacheva) aproveitando o facto de Ivan Likachev, o diretor da empresa durante 25 anos ter morrido nesse mesmo ano.

Por essa razão, há um modelo protótipo conhecido como ZIS-111 mas os modelos definitivos, que começaram a ser produzidos em 1958 já serão designados ZIL-111.

O modelo esteve em produção durante relativamente pouco tempo. Entre 1958 e 1963 foram produzidos 100 exemplares, altura em que começou a ser fabricado o ZIL-111G, que embora com uma referência idêntica era um veículo muito diferente.

Uma versão descapotável (ZIL-111V) destinada a cerimónias oficiais foi igualmente desenvolvida e produzida num total de 12 unidades. Este tipo de viatura é muitas vezes visto em paradas militares, embora algumas vezes também se vejam alguns dos poucos GAZ-13 Tchaika nessa função.


O fim de linha para o ZIL-111 aparenta estar relacionado com o fato de o modelo ser demasiado parecido com o GAZ-13 «Tchaika» que era utilizado pelos funcionarios de segundo escalão do partido comunista.
Como resultado, aproveitou-se mesmo o projeto de modernização que existia para o Chaika, lançando-se uma viatura idêntica, com a designação ZIL-111G.

Informação genérica:
Para os escalões principais da hierarquia soviética, desfiles e paradas militares e mesmo para utilização dos responsáveis máximos do país, estavam reservadas as viaturas ZIL.

Durante a década de 1950, após a morte de Estaline e com a chegada de Krutchev ao poder, mais uma vez o objetivo era copiar os americanos. A viatura ZIL que veio substituir o então já ultrapassado modelo 110, foi o ZIL 111, que era virtualmente igual ao GAZ Tchaika m13.

A necessidade de diferenciação entre os modelos ZIL e GAZ levou ao desenvolvimento do modelo ZIL-111G, que foi apresentado em 1963.
O modelo 111G, é muito diferente diferente, do 111, que copiava um Packard modelo 1955. [1]
O 111G no entanto também se inspirava nos modelos norte-americanos.
Porém, os engenheiros soviéticos não pararam por ali, e ainda em 1962 já começavam a desenvolver uma versão mais moderna, que apareceria oito anos depois, em 1970, quando aparece o ZIL-114.

O 114, segue a tradição russa de manter os modelos em produção por tanto tempo quanto possível, efetuando apenas alterações cosméticas e substituindo apenas o que tem mesmo que ser substituido.
Como os modelos anteriores, existe uma versão sedan curta, uma versão limousine alongada e uma versão descapotável, utilizada normalmente para paradas militares.


No final da década de 1970, é apresentada uma versão atualizada do 114, o ZIL 4104.
Este modelo é apresentado em três tipos distintos. O


[1] - É importante notar que, enquanto a ZIL modernizou o 111 em 1962, transformando-o no 111G, a GAZ continuou a produzir o GAZ-M13, que só seria modernizado quinze anos depois, em 1977, com o aparecimento do GAZ-14
Limousines sovieticas

Luxo e extravagância comunista

A razão pela qual os regimes comunistas demonstraram todos uma grande apetência pelo luxo e pela extravagância é sujeita a muita polémica e discussão.
De entre as razões para tal comportamento estará o facto de numa sociedade equalitária, o ser humano continuar a precisar de formas para se diferenciar. Num regime em que existe apenas uma marca de cada tipo de produto (quando existe), viajar numa viatura exclusiva é um sinal de poder e diferenciação como poucos.
As viaturas de representação soviéticas eram normalmente fabricadas em pequenas séries por fabricas de viaturas de transporte ou tractores. Na maior parte dos casos trata-se de cópias de modelos norte-americanos, embora também existam cópias de modelos europeus ou claramente inspirados em modelos europeus. Em alguns casos as plataformas foram também aproveitadas para o desenvolvimento de viaturas utilitárias, como taxis ou ambulâncias.
Os veículos de luxo soviéticos eram cópias de equivalentes ocidentais e curiosamente havia modelos específicos para cada escalão da administração do estado. Krutchev chegou a queixar-se de que o carro dos camaradas do politburo confundia-se com os carros dos funcionários de segundo escalão do partido, o que levou a produzir um novo carro de luxo, especificamente para aqueles dirigentes, frisando através dos automóveis, as divisões de classes numa sociedade supostamente equalitária.
As limousines transformaram-se num simbolo de uma sociedade estratificada, simbolos de status, que contribuiram para distanciar cada vez mais o povo dos dirigentes.
Era de tal forma claro esse sentimento, que durante a Perestroika, com o objetivo de mostrar que as coisas estavam a mudar, Gorbatchev mandou encerrar a linha de montagem de limousines GAZ, onde se produzia o GAZ-14, quase exclusivamente destinado aos funcionários do partido.

Desde a formação da União Soviética que os dirigentes comunistas sempre demonstraram uma grande inclinação para a utilização de viaturas de representação altamente luxuosas. Lenin, o primeiro líder, não escondia o seu gosto pelo luxo e pela extravagância e o seu sucessor, José Estaline, também possuiu uma colecção de limousines de alto luxo.

Foi aliás Estaline que decidiu que a União Soviética também deveria construir a sua própria gama de viaturas luxuosas, tendo mesmo apoiado a construção de carros desportivos nos anos 30. Depois do triunfo dos comunistas na China, também os dirigentes chineses se voltaram para a produção de viaturas de prestigio e alto luxo, que pretendiam de alguma forma mostrar que os seus regimes conseguiam ter um padrão de produção equivalente ao dos países ocidentais.

Dividimos as limousines soviéticas em três grupos.
ZIS 101 - A série que juntamente com o ZIS-110 representa. A primeira fase de desenvolvimento, com limousines exclusivamente para utilização da administração de topo. Estas viaturas foram construidas antes e desenvolvidas durante a II guerra mundial, ficando em produção até à década de 1950.

ZIM / GAZ - As séries de veículos da fabrica GAZ, destinados não aos funcionários de topo, mas sim aos funcionários dos escalões secundários. Estes veículos eram menos luxuosos, mas foram construidos em muito maior número.

ZIL 111/114 - As séries mais luxuosas, partindo do ZIL-111 de 1958, até aos veículos que estavam ao serviço na era Gorvachov. Estes veículos destinavam-se à administração de topo, altos funcionários do Kremlin e membros do politburo.


GAZ e ZIL

Depois da guerra, com o fim das necessidades militares, foi decidido que a fábrica ZIS prosseguisse com a produção da viatura de luxo ZIS-110, ao mesmo tempo que também foi decidido desenvolver uma linha de montagem para este tipo de viaturas na cidade de Gorki, no complexo industrial conhecido como GAZ.

Enquanto a ZIL se dedicava a produzir viaturas de topo de gama para utilização pelos lideres de topo, nomeadamente o próprio Estaline, a GAZ recebeu ordens para se dedicar a fabricar viaturas de luxo para os escalões secundários da hierarquia comunista.

A GAZ lançou então o GAZ-12, que foi a limousine mais produzida durante a década de 1950. O modelo seguinte, também construído pelas duas fábricas foi o GAZ Tchaika-13 que era muito parecido (ainda que 40cm menor) com o ZIL-111.
Os governadores das regiões, perfeitos (presidentes de câmara municipal), os dirigentes regionais dos partidos comunistas das várias repúblicas, tinham direito a uma limousine GAZ-13 e a viatura esteve em produção até ao final da década de 1970, tendo-se mantido em produção por mais de 20 anos.
Já a ZIL dedicava-se à produção de limousines de topo e ultra-luxo, para representação do estado soviético central. As limousines ZIL eram normalmente utilizadas nas deslocações dos lideres soviéticos ao exterior e eram utilizadas pelos ministros e altos responsáveis da administração central, da KGB e do politburo do Partido Comunista Soviético.

Curiosamente, no inicio da década de 1960, com os modelos ZIL-111 e GAZ-13, os dois escalões da administração comunista dispunham de viaturas similares, o que foi notado por Nikita Krutchev e levou a que se decidisse modernizar o ZIL-111 para que se pudesse diferenciar do escalão inferior do escalão superior da administração soviética.

O ZIL-111G, construido propositadamente para distinguir os dirigentes de topo derivou posteriormente, já no final da década de 1980 no modelo ZIL-114 (final da década de 1960) e posteriormente no ZIL- 4104 (4104.7 na versão limousine para sete lugares). É esta a limousine de Mikhail Gorbatchev e o simbolo final do fim da União Soviética.
Limousines e Perestroika

Quando se iniciou a era Gorbatchov, foi decidido acabar com muitos dos privilégios de que gozavam os altos escalões da administração soviética e uma das faces visíveis desses privilégios eram as limousines produzidas pela GAZ.

Por ordem do presidente soviético, a produção do GAZ-14 Tchaika foi interrompida em 1988 e os planos e moldes para o fabrico da viatura foram igualmente destruidos, para dar o exemplo.
Em meados da década de 1990 ainda se tentou recuperar o modelo, mas concluiu-se que, sem os moldes que tinham sido destruidos, a produção mesmo artesanal da limousine seria economicamente inviável.

Em 2012 a ZIL apresentou uma última derivação baseada no mesmo chassis, mas com o acrescento de mais caracteríticas luxuosas, além de seis portas. O modelo não terá sido do agrado do presidente Vladimir Putin, pelo que no final de 2013 foi anunciado que o ZIL 4112R não chegaria a ser produzido em série.

Uma outra limousine, destinada a utilização pelos altos escalões da nomenclatura russa foi entretanto proposto, mas com a crise económica russa que se seguiu à ocupação da Crimeia e invasão da Ucrânia, os planos foram oficialmnte congelados, embora alegadamente continuem em segredo por ordem direta do presidente Vladimir Putin, que como outros líderes russos, também tem uma grande predileção pelo luxo e pela extravagância.

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