Operação Barbarossa


Operação Barbarossa Antecedentes

Neste dia, a Alemanha Nazi (Terceiro Reich Alemão) e a Rússia Comunista (União Soviética) entraram em conflito, naquele que foi o enfrentamento mais cruel e brutal de entre todos os conflitos ocorridos durante a II guerra mundial.

Frente a frente, estiveram também os dois regimes mais criminosos que alguma vez existiram, em toda a história da humanidade. A brutalidade do conflito que começou em 22 de Junho de 1941 causou mais morte e mais destruição que as invasões dos mongóis.

Desde que o regime comunista tinha sido implantado na União Soviética, o conflito com o colosso da Europa oriental era considerado possível. Quando um partido nacionalista alemão chegou ao poder em Berlim, a probabilidade de um confronto entre as duas ditaduras tornou-se ainda mais provável.

No entanto, estão enganados os que pensam que os dois regimes se viam realmente como inimigos. Na realidade, as relações entre nazistas e comunistas foram das melhores, especialmente ao nível dos contactos militares, que já tinham começado ainda antes da chegada dos nazistas ao poder em Berlim.
A regime soviético tinha sido implantado com o apoio do II Reich, quando os alemães financiaram a chegada ao poder do lider comunista Lenine, que aceitou a ajuda, garantindo como contrapartida retirar a Rússia da guerra.

Lenine chegou ao poder e cumpriu a sua parte do acordo com a Alemanha retirando o país da guerra. Por isso ainda que derrotada, a Alemanha não viu na Rússia soviética um inimigo mas sim um aliado potencial.

É também por essa razão que quando a Alemanha ficou proibida de desenvolver viaturas blindadas na sequência do armistício, foi com o auxilio da Rússia comunista que os alemães testaram novas ideias e acompanharam as primeiras fases de desenvolvimento da industria militar soviética.

Quando Hitler chegou ao poder, as relações com a Rússia melhoraram, porque os soviéticos tinham muito melhores relações com os nazistas alemães que com os social democratas.

Tanto nazistas como comunistas eram na realidade revolucionários que pretendiam lutar contra o capitalismo e viam um futuro em que o Estado controlava a economia, fosse diretamente (como na União Soviética), fosse indiretamente, como na Alemanha Nazi.

No entanto, as boas relações entre os dois países não afastavam a possibilidade de um conflito, ainda mais quando Hitler tinha escrito no seu livro «A minha luta» que o futuro residia na Rússia.

O ocidente era profundamente anti-comunista, mas com a chegada de Hitler ao poder, passou a ver na Rússia um mal necessário. Os governos dos países ocidentais gostariam de ver a Rússia e a Alemanha em guerra, para que os dois regimes se desgastassem um ao outro.

A guerra civil de Espanha, afastou os dois países, mas as relações voltaram a melhorar com o fim do conflito espanhol. Estaline recebeu os militares russos que tinham lutado em Espanha e mandou matar a maioria deles.

Durante o resto de 1939, a diplomacia jogou as suas últimas cartas na mesa de jogo diplomático em que se tinha transformado a Europa. Em meados de Agosto de 1939, sabendo que os soviéticos estão em negociações com franceses e britânicos, mas tendo conhecimento de que as negociações estão num impasse, Hitler faz uma proposta irrecusável a Estaline.

Oferece-lhe metade da Polónia, a Bessarábia, os estados bálticos e partes da Finlândia, em troca de um pacto de não agressão. Estaline aceita !

Os dois países melhoram muito as suas relações. A Alemanha invade a Polónia em conjunto com a URSS e pouco tempo depois os soviéticos ocupam os estados do Báltico e parte da Roménia.

Os oficiais soviéticos e alemães brindam à vitória comum sobre a Polónia. Estaline parabeniza Hitler pela sua brilhante vitória sobre a França. Hitler chega a prometer a Estaline partes do império britânico, caso a URSS se junte aos países do Eixo. A desconfinça porém, é mútua.

Estaline não responde às propostas alemãs e mantém as suas reservas. Considera que a guerra com a Alemanha acontecerá mais tarde ou mais cedo, mas acredita que antes de se voltar contra a URSS os alemães vão derrotar primeiro a Grã Bretanha, que persiste em não se render aos alemães. Entretanto aproveita para ocupar os Estados Bálticos e invadir a Finlandia, mas neste último país tem uma amarga surpresa.

Os finlandeses resistem ferozmente e contra todas as espectativas obrigam a URSS a enviar grande numero de tropas contra a Finlandia para evitar uma humilhação. Mas a desastrosa prestação do exército vermelho não passa despercebida. São enviados observadores para analizar com cuidado as prestações do exército vermelho e os relatórios confirmam a opinião de Hitler.

As purgas estalinistas, que mataram muitos dos melhores oficiais soviéticos transformaram as forças russas numa amalgama de soldados mal enquadrados e sem o apoio de um sistema logistico que pura e simplesmenta não existe.

Também a análise alemã sobre os tanques russos piora. Os T-26 e os BT-5 e BT-7 mostram ser fáceis de abater mesmo com armas anti-tanque ligeiras. Os alemães já tinham começado a colocar blindagem de 30mm nos Panzer III enquanto os russos ainda vão nos 15mm (22mm no máximo). Mas neste caso os alemães não perceberam que os russos tinham desistido de modernizar os T-26 e os BT-7. Em vez disso tinham desenvolvido novos tanques [1].

Entre Julho e Agosto de 1940 os alemães continuam a tropeçar na Inglaterra. A Luftwaffe é derrotada na batalha de Inglaterra e não consegue estabelecer a necessária superioridade aérea para garantir uma invasão por mar. Em 25 de Agosto, para raiva e irritação de Hitler os britânicos bombardeiam pela primeira vez a capital do Reich.

Hitler fica indignado, mas secretamente as suas atenções já estão a leste. Já mandou os seus generais começarem a preparar uma gigantesca operação de invasão da União Soviética. O plano chama-se «Barbarossa» e será concebido pelo general Von Paulus.

Todos os preparativos serão ultra-secretos, mas os espiões soviéticos são mais eficientes que a contra-espionagem alemã e o plano Barbarossa está na secretária de Estaline apenas algumas semanas após ter sido terminado e apresentado a Hitler e quanto existem apenas nove cópias.

Patologicamente desconfiado, Estaline não acredita no plano e vê nele uma intoxicação dos ingleses que querem que a URSS entre em guerra com a Alemanha para aliviar a pressão sobre eles próprios.


Esta ideia de que não haverá um ataque alemão antes da queda da Grã Bretanha e de que os britânicos estão a tentar iniciar uma guerra entre nazistas e comunistas, vai dominar o pensamento de Estaline até ser demasiado tarde.

[1] - Não foi apenas Estaline que insistiu nas suas ideias contra tudo e contra todos. Hitler também recusou terminantemente (taxando-os de loucura), os relatórios sobre a quantidade de tanques soviéticos produzidos (ainda que não operacionais).
Guderian, recebeu um estudo pormenorizado feito pelos serviços secretos militares, em que se concluia que os soviéticos tinham pelo menos 20.000 blindados de todos os tipos. Guderian aceitou o relatório, mas reduziu o numero de tanques soviéticos de 20.000 para 10.000.
Mesmo assim, quando apresentou o relatório a Hitler numa conferência, o ditador rejeitou liminarmente o relatório e declarou que os números eram um absoluto disparate.

Escusado será dizer, que quando os serviços secretos e os analistas militares alemães enviaram a Hitler um relatório a afirmar que era muito provavel que os russos estivessem a desenvolver tanques muito mais pesados e melhor armados que os melhores tanques alemães, o ditador nazista acusou os autores do relatório de loucura.

Operação Barbarossa A véspera do ataque


No inicio de 1941, cinco meses antes da invasão alemã, o líder soviético tem na sua mesa de trabalho, não só os planos da operação Barbarossa, como uma enorme quantidade de dados sobre as operações alemãs que estão a ser organizadas.

Também no inicio de 1941, os alemães invadem a Jugoslávia e a Grécia e enviam tropas para a Roménia, mas Estaline não faz nada. Continua convencido de que não ocorreria um ataque alemão enquanto a Grã Bretanha não fosse derrotada. Milhares de homens marcham desde França para leste. Os Panzers são enviados através da via ferrea em enormes comboios que viajam de noite, mas que não escapam à atenção dos espiões soviéticos.

Estaline acredita que haverá guerra, mas só em 1942, quando acha que estará preparado. Não só estará preparado, como passará de imediato ao contra-ataque efectuando uma invasão preventiva da Alemanha. Por isso mandou preparar planos de ataque, onde se estuda como as tropas soviéticas serão utilizadas, quais serão os objectivos e como tomará o exército vermelho Polónia ocidental e a Prússia oriental.

O ataque preventivo que Estaline acredita poder lançar em 1942 seria demolidor. Para isso é necessário renovar completamente a sua força mecanizada com os novos tanques médios T-34 e pesados KV-1, e equipar a força aérea com novos caças e organizar uma força de bombardeiros.

São criados novos Corpos Mecanizados (uma novidade no exército vermelho), compostos normalmente por duas divisões de tanques e uma divisão de atiradores motorizada. Mesmo que não haja tanques T-34 e KV-1 suficientes (Em meados de 1942 o exército vermelho já teria disponíveis 4.000 tanques destes modelos), os soviéticos têm em mente que mesmo os tanques russos T-26 mostraram ser superiores aos tanques alemães. Os BT-7 são melhores que os T-26 e estão disponíveis milhares de tanques destes dois modelos.

Se a guerra de Espanha, mostrou que os tanques russos eram superiores os alemães, a mesma guerra também demonstrou que os aviões russos não eram páreo para os Me-109 alemães. O soviéticos perceberam isso e deram prioridade ao desenvolvimento de novos caças. Mas os novos Lavochkin, MiG e Yakovlev, são instáveis e padecem de problemas de desenvolvimento. Ainda assim, todos os caças novos são colocados em aerodromos junto à fronteira, onde mais facilmente podem defrontar os alemães durante o contra-ataques. Na cabeça de Estaline, a vitória parece certa.

Qualquer plano defensivo passa por isso a ser encarado como derrotismo e é punido de forma severa com a deportação para campos de trabalhos forçados ou com o pelotão de fuzilamento. É por isso que nas duas semanas antes do ataque, o ditador comunista recusará aceitar todas as conclusões dos seus generais, alarmados com o acumular de grande numero de divisões alemãs ao longo da fronteira e com a soma interminavel de indicios que os alemães não conseguem ocultar.

Mas Estaline está convencido de que não deve hostilizar Hitler, pelo menos até que esteja em condições de o enfrentar. Por essa razão, perante o acumular alarmante de informações, a única coisa que Estaline aceitou fazer a 21 de Junho (na véspera do dia do ataque alemão), foi rever o plano soviético de contra-ataque, que não previa - nem passou a prever - qualquer acção defensiva.

Como resultado, quando a 22 de Junho as notícias sobre os ataques alemães se sucedem nos comandos dos exércitos, os oficiais russos não sabem o que fazer nem têm planos para seguir. Como a iniciativa individual era normalmente considerada crime de traição contra o povo e o partido, ninguém se atrevia a mexer um dedo, com medo da retaliação de Estaline. Como os alemães tinham cortado as linhas de comunicação, os chefes das unidades, ficaram imobilizados, entre o medo dos alemães e o medo da retaliação de Estaline.

Na noite de 21 para 22 de Junho, vários generais soviéticos aconselharam Estaline a colocar as divisões do exército vermelho junto à fronteira em estado de alerta e às 21:00 do dia 21 de Junho (7 horas antes do ataque alemão) mostraram-lhe um plano que tinham realizado. Estaline recusa liminarmente fazer alguma coisa de drástico. Permite que as tropas sejam colocadas em estado de alerta, mas proíbe que se responda se houver ataque, porque teme que seja uma armadilha dos alemães para provocar uma guerra.
Já depois da meia-noite uma mensagem para que as tropas sejam colocadas em alerta parcial é dada, mas um dos comandantes soviéticos, ao qual não foi dada toda a informação - o almirante Kuznetsov - não espera pelo lento sistema de comunicações miltiares soviético. A partir do seu quartel-general em Moscovo, pega no telefone e fala com o comandante da esquadra russa do mar negro.

Informa-o do que se passa e manda-lhe declarar o alerta-geral em toda a esquadra, ordenando-lhe que não espere pela confirmação da ordem. Quando às 03:15 do dia 22 de Junho os alemães se preparam para bombardear a esquadra russa em Sebastopol, são recebidos com fogo anti-aéreo.

Mas com excepção da marinha no Mar Negro, avisada por telefone logo à meia-niote, quando as ordens parciais de Estaline são finalmente codificadas, e enviadas já as unidades avançadas alemãs estão em território soviético a cortar todas as linhas de comunicação junto à fronteira.

É tarde demais.

Operação Barbarossa A invasão do lado soviético


Ainda durante a primeira hora do dia 22, os generais enviam uma ordem para que as tropas junto à fronteira sejam colocadas em estado de alerta, mas essa ordem nunca chegará, porque os alemães já sabotaram as linhas de comunicação. Os russos junto à fronteira, serão avisados da invasão, pelos próprios alemães. Só a esquadra do MAr Negro em Sevastopol será informada, porque o comandante emitiu a ordem por telefone, para evitar a burocracia.

00:30 – Uma estranha ordem é dada ao comandante de defesa aérea de Moscovo, a quem mandam colocar as suas unidades em estado de alerta a 77%. A formula é completamente desconhecida e incompreensível. Não se sabe se devem ser colocados em alerta 77% das baterias, ou carregar 77% das munições ou acordar 77% dos homens.

Estaline é acordado às 03:45 da manhã do dia 22 de Junho, ou seja, 30 minutos depois do inicio do ataque alemão. É informado de que várias cidades junto à fronteira ocidental da URSS estão a ser bombardeadas pela aviação e pela artilharia alemã, O General Zhukov pede-lhe autorização para dar ordem às tropas para responder, mas Estaline continua a recusar dar a ordem. Zhukov fica incrédulo. Estaline convoca-o para o Kremlin[1] e diz que vai reunir o politburo do partido, mas fora isso, absolutamente mais nada!

Estaline, continua a achar que se trata de uma provocação alemã, que não deve ser respondida para evitar um confronto aberto.

03:15 - O ataque alemão começa de forma coordenada. As aeronaves que ja estão no ar, picam sobre os aerodromos soviéticos, com o objetivo primario de destruir a força aérea soviética.

04:00 Próximo à linha da frente, os comandantes russos não sabem o que fazer. Telegrafam desesperadamente a pedir instruções, mas não recebem resposta. Em desespero de causa começam a enviar pedidos de informação não cifrados na esperança de que alguém responda.

A resposta vem pouco depois, avisando que não podem enviar mensagens não cifradas, mas nem uma ordem sobre o que fazer perante o ataque.

Às 05:00 da manhã (hora russa), o general Potaturchev, que comanda a 4ª divisão blindada soviética, recebe ordens do comandante do X exército para emboscar os seus tanques T-34 na floresta de Bialystok. A 4ª blindada também conhecida como «Divisão Estaline» é uma das quatro mais poderosas divisões soviéticas, onde estão concentrados os tanques mais modernos. Uma hora mais tarde a divisão começa a mover-se, 10,900 homens (faltam 500). Um terço dos tanques não estão em condições e são deixados nos parques. Outros também ficam parados porque a divisão não tem combustível suficiente. Mesmo assim poderia fazer alguma coisa se recebesse ordem para atacar, em vez de se esconder na floresta.

05:55 Pouco antes das seis da manhã, ocorre uma reunião limitada no Kremlin, o líder soviético continua a achar que o ataque é meramente uma provocação. Manda contactar a embaixada alemã, a qual está à espera do contacto, informando que o embaixador tem uma mensagem muito importante para o ministro Molotov.

Molotov dirige-se ao ministério onde recebe o embaixador alemão de urgência, Estaline continua a impedir qualquer resposta.
Meia hora depois, Molotov entra apressado no Kremlin, quando vê Estaline informa-o:

A Alemanha declarou-nos guerra !

No salão do Kremlin, o silêncio é glacial, Tal como Molotov tinha perguntado ao embaixador alemão, também Estaline reflete, sobre qual a razão do ataque, já que a URSS tinha feito tudo para evitar que um conflito começasse tão cedo.

07:15 É emitida a primeira ordem de guerra do quartel general soviético. É ordenado que as forças do exército vermelho ataquem os alemães e os expulsem até à fronteira, ordenando que as forças soviéticas não ultrapassem a fronteira em caso algum.

09:00 – O general Potaturchev, comandante da Divisão Estaline (4ª divisão blindada) recebe finalmente ordens para engajar o inimigo. A ordem é no entanto absurda, porque manda que a divisão seja dividida em dois grupos. Os seus dois regimentos de blindados são enviados para Grodno, a brigada de infantaria vai defender uma ponte. Os blindados de Potaturchev concentram-se mas são atacados pelos Stukas. Alguns blindados são destruídos, mas o que é arrasado é a moral das tropas.

11:00 - Ao fim da manhã, no sector norte, menos de oito horas após o inicio da invasão grande parte das unidades do XI exercito já não dá sinais de vida. No sector central o X exército está prestes a ser cercado, o IV exército recua desordenadamente.

Às 12:15 a comunicação oficial ao povo russo de que a Alemanha atacou, é feita aos microfones da Radio Moscovo pelo ministro Molotov. Estranhamente, sabe-se que durante o fim da manhã e a tarde do dia 22 de Junho, Estaline perdeu tempo em reuniões sem sentido, perdendo tempo precioso e deixando os alemães penetrar 50km em território russo antes de dar ordens. Às 16:30 começou uma reunião com Béria, o chefe da NKVD. Despediu-se dele antes das 17:00 e não voltou a ser visto no dia da invasão alemã.

12:00 – Também ao meio-dia, a União Soviética faz a primeira tentativa para negociar com a Alemanha, através do Japão. A historiografia soviética fará menção a este facto, mas ocultará sempre que Estaline procurou negociar com a Alemanha e fez desesperados pedidos de paz a Hitler pelo menos até Setembro.

16:00 – Por volta das quatro da tarde, a poderosa 4ª divisão blindada «divisão Estaline» do general Potaturchev, prepara-se finalmente para enfrentar os tanques alemães. Desde as 09:00 da manhã que está a gastar precioso combustível, foi inicialmente mandada para as florestas e depois recebeu ordem para avançar das posições a leste de Byalistok para Grodno a norte-nordeste, a 70km de distância. Mas quando finalmente encontra os alemães, estes recusam o combate, infletem à esquerda e à direita, avançando ainda mais para o interior do território soviético. Os tanques T-34 e KV-1 de Potaturchev estão praticamente sem combustível e a logística do X exército entrou em colapso. Este cenário repete-se ao longo de toda a frente, mas no caso do X exército é ainda mais grave porque o mais poderoso exército soviético na frente central deixou de conseguir comunicar com o comando desde a madrugada e ninguém sabe onde estão as suas unidades.

19:00 – Nas proximidades de Grodno, onde os alemães tinham passado entre as 16:00 e as 17:00, os russos tinham ordens para rebentar as pontes da cidade, mas exatamente às sete da tarde. Não querendo ser acusados de traição por não cumprirem ordens, os russos deixam passar os alemães e rebentam as pontes às 19:00 em ponto.

Ao fim do primeiro dia da guerra, a ordem geral vinda de Estaline, emitida de manhã, mas que só chega às unidades ao fim da tarde é para um ataque geral na madrugada do dia seguinte (23 de Junho). Os generais, principalmente os da arma blindada enviam os seus pedidos e os seus relatórios. Antes de se completarem 24 horas do ataque alemão, as mais poderosas unidades do X exército, estão sem carburante e já não têm praticamente munições e não conseguem comunicar com os escalões superiores.

São recebidas ordens para destruir os tanques, quando as munições acabarem.

No Kremlin, Estaline ainda acredita que o exército vermelho terá capacidade para resolver o problema nos dias seguintes, expulsando os alemães para lá da fronteira.

Frente Sul

Na frente sul, sob o comando operacional do general Kirponos as notícias durante a primeira semana não são tão graves como nas outras frentes, porque é ali que se encontra a maior concentração de forças soviéticas e dos exércitos alemães do marechal Rundstedt apenas um é blindado (1º Panzer comandado por Von Kleist).

Mas Rundstedt percebeu muito bem a disposição das forças soviéticas no terreno e em resposta, coloca os seus tanques de forma a que estes cavem uma brecha entre o 5º e o 6º exércitos soviéticos.

Na Ucrânia, além do problema dos alemães, há o problema étnico dos ucranianos ocidentais, bastante diferentes dos orientais que estão muito mais próximos dos russos. Alí, na Ucrânia ocidental, parte dela acabada de integrar na URSS resultado da tomada do leste da Polónia, continua a existir uma pressão das guerrilhas ucranianas.

Logo a 22 de Junho cidades a 30 km da fronteira são incendiadas e ouvem-se tiros sem que se vejam alemães nas proximidades. Muitos oficiais soviéticos tinham consciência do problema e o próprio Estaline tinha ordenado vigorosas operações de pacificação (assassinato de dezenas de milhares de ucranianos). A ação das milicias ucranianas (identificadas pelo simbolo do tridente) ajuda a desorganizar onde os alemães não tinham conseguido.

Tropas soviéticas são enviadas para cidades para combater os alemães e quando chegam percebem que o que aconteceu foi uma revolta dos nacionalistas ucranianos. A população hostil para com os russos, ameaça-os abertamente.

Esquadra do Mar Negro, a única força russa alerta.
Destaca-se no entanto um fato importante que ocorreu na madrugada de 21 para 22 de Junho na frente sul, especificamente na frota do Mar Negro.
Quando em Moscovo os generais conseguem a muito custo uma ordem de Estaline para declarar o Estado de Alerta, o ditador comunista proíbe explicitamente que se dispare contra os alemães, ainda que tivesse aceite o Estado de Alerta parcial.

Mas o tradicional desprezo a que Estaline votava a marinha (desprezo que era partilhado pelo comandante do exército, Gen.Zhukov) levou a que o almirante Kuznetsov não tivesse sido devidamente informado da ordem de Estaline para não disparar, e apenas da indicação para declarar o Estado de Alerta.

Parizkaia Komuna

Couraçado Pariszkaya Komuna: A esquadra russa estava alerta e a marinha soviética, o menos prestigiado dos ramos das forças armadas, respondeu aos ataques alemães desde a primeira hora.


Conhecedor da lentidão do sistema de comunicações soviético e da sua burocracia, quando sabe que Estaline declarou o Estado de Alerta, Kuznetsov pega no telefone em Moscovo e liga para o almirante Oktiabrsky, comandante da frota em Sebastopol. Manda declarar «Prontidão Operacional nr.1». o que implica que a esquadra entre de imediato em alerta, que todos os marinheiros sejam de imediato chamados aos navios e que as armas estejam prontas para disparar.

Ordena também a Oktriabrsky que não espere pela ordem escrita, que ainda estava a ser cifrada. O aviso por telefone deu à esquadra uma vantagem que mais ninguém teve. A comunicação cifrada, seria enviada por cabos telefónicos, quando foi enviada desde Moscovo, já os alemães tinham cortado os cabos e impedido assim que as ordens se propagassem.

À 01:55 (hora russa), duas horas e vinte minutos antes do ataque alemão[2], parte da cidade e a base naval de Sebastopol estão acordadas no meio de uma azafama indescritivel com sirenes de alerta, militares a correr de um lado para o outro, alguns com máscaras anti-gás colocadas. Ouvem-se ordens para que começasse o «blackout» e se apagassem todas as luzes na base e nos navios. Os comandantes abrem as suas ordens seladas e preparam-se para o combate.

Mas a sabotagem alemã já tinha começado e há faróis de aviso à navegação nas falésias nas proximidades de Sebastopol que continuam acesos, porque já não se consegue contactar com o operador.

Quando os alemães atacaram Odessa e Sebastopol, foram recebidos com o fogo das anti-aéreas dos navios.

[1] – A «História da Grande Guerra Patriótica » que durante muitos anos representou a visão oficial comunista da guerra, desenvolveu uma quantidade de teorias que se sabe hoje serem totalmente inventadas. Uma delas foi a de que no dia do ataque alemão, Estaline estava de férias na Crimeia, para onde tinha ido no dia 18 de Junho.
Os relatos dos generais que afirmavam que tinham reunido com Estaline no dia 21 de Junho foram censurados durante décadas.
[2] - O ataque ocorreu às 03:15 hora alemã. Mandam as normas que se deve acertar sempre o relógio pelo agressor quando se fazem relatos sobre operações militares. Às 01:55 em Sebastopol, eram 00:55 na Alemanha.

Operação Barbarossa A invasão do lado alemão


A operação alemã de invasão da União Soviética foi a mais complexa e numericamente a mais volumosa operação militar da História.
Ela implicou também uma gigantesca tarefa de coordenação, não apenas entre as forças alemãs mas também entre forças dos países aliados da Alemanha.

O ataque iniciou-se em três frentes principais que tinham três objetivos definidos. A norte o objetivo era a cidade de Estalinegrado, no centro o objetivo era a capital soviética, Moscovo e a sul o objetivo era a cidade de Kiev e o controlo da Ucrânia e eventualmente do Caucaso.

Adolf Hitler, chegou à «Toca do Lobo», o quartel general alemão na Prussia oriental na noite do dia 21 por volta das 23:00. Ordenou de imediato uma reunião do conselho restrito que lhe deu indicações sobre os últimos preparativos.

00:30 – Forças especiais alemãs da divisão Brandenburg, vestidas com uniformes soviéticos infiltram-se na fronteira. As forças especiais alemãs, têm vários objectivos distintos, de entre os quais se destacam o controle de pontes e a destruição das comunicações telefónicas russas. Os militares alemães utilizam armas brancas e estão proibidos de disparar antes das 03:15.

01:00 – Os comandos das unidades aéreas da Luftwaffe, recebem pela primeira vez as suas ordens para bombardear território soviético.

02:10 – O general Guderia sai do seu aquartelamento para se dirigir ao seu posto de comando nas linhas avançadas do seu exército blindado. Avançará pouco atrás dos regimentos de tanques das pontas de lança alemãs.

02:45 – Os primeiros alemães a entrar em acção foram os pilotos e operadores das aeronaves da Luftwaffe. Na realidade, a necessidade de começar os bombardeamentos aéreos ao mesmo tempo que se iniciou o ataque terrestre levou a que as esquadrilhas da força aérea começassem a descolar quase uma hora antes. Atingem a altitude máxima, para evitar que o ruido acorde os russos antes das 03:15.

O factor surpresa era da maior importância e foi determinante. O ataque contra os aerodromos junto à fronteira (onde os caças mais modernos se encontravam acumulados em grandes quantidades porque muitos aerodromos estavam em construção), permitiu destruir no solo mais de 800 aviões de caça soviéticos.

03:00 – Quinze minutos antes da invasão e quando já todos os soldados alemães estão informados do ataque, Mussolini é acordado em Roma. Hitler informa-o de que a Alemanha vai atacar a Rússia e espera a participação de italianos nas operações. Mussolini fica profundamente irritado com a ofensa, mas manda declarar guerra à URSS, comentando com os seus colaboradores próximos que não acredita na derrota alemã, mas não deixa de exclamar: «Espero que o Reich perca lá bastantes penas».

03:10 – O general Guderian desce da sua viatura. Encontra-se numa colina próximo de Volka-Dobrynska, nas proximidades de Brest-Litovsk. Cumprimenta os oficiais e acertam-se os relógios.

03:15 – Do Báltico ao Mar Negro, a operação Barbarossa tem inicio. Para a História fica o nome do alferes Zumpl, frente a Brest-Litovsk, o primeiro a gritar «Worvaerts», em frente. O ataque é coordenado e inicia-se praticamente à mesma hora em todo o lado.

04:00 – Em Berlim, é chamado à chancelaria o embaixador soviético e só então a Alemanha declara guerra à União Soviética.

04:15 – A Luftwaffe coloca no ar a sua terceira vaga de ataques aéreos contra os aerodromos soviéticos. As enormes quantidades de aviões cuidadosamente alinhados nas pistas espantam os pilotos alemães, pela sua quantidade e pela facilidade com que os podem destruir.

À mesma hora em todo o lado os alemães começam a ficar espantados com a facilidade do avanço. Uma hora depois de terem entrado em solo soviético a artilharia russa ainda não disparou um único tiro contra os alemães.

07:00 – A Rádio Berlim, no meio de musicas guerreiras anuncia aos alemães que o seu país acaba de invadir a União Soviética. Passarão mais quatro horas até que a Rádio Moscovo dê a notícia[1].

Às 08:30, pouco mais de cinco horas após o inicio da operação, o general Guderian, e o seu staff, já avançam em território russo. No entanto, a rapidez da operação faz com que muitos russos tenham ficado para trás. Durante todo o dia 22, a coluna de Guderian ficará na mira das armas russas várias vezes e uma delas fica mesmo na mira dos canhões dos tanques soviéticos. Ainda assim, continua a avançar.

12:00 Ao meio dia, na toca do lobo, decorre a reunião do grande conselho. Hitler é informado do progresso do ataque alemão e regozija-se com os resultados. Afirma que as suas previsões estavam certas e que a barraca podre cairá sem problemas.

12:30 - Algumas unidades da Luftwaffe levantam voo para a sua quinta missão consecutiva. Quando os principais objetivos foram atingidos os alemães equiparam caças Messerschmidt Me-109 com pequenas bombas de 4kg. É com estas pequenas bombas nas asas que os alemães atacam as colunas de abastecimento, os refugiados e as forças que retiram, para criar a maior confusão possível e impedir a reorganização das forças russas.

13:15 - Há no entanto um espinho encravado na progressão alemã. Se em toda a frente as forças avançam com mais ou menos resistência, frente à cidade de Brest Litovsk os russos continuam a oferecer uma resistência obstinada e a ocupar forças alemãs. à uma da tarde a frente já se encontra a mais de 30km de distância.

16:00 - Os relatórios dão conta de que as unidades blindadas avançam em toda a frente, com mais dificuldade a sul. A norte as forças russas aparentam retirar e na frente central as forças que não retiram estão prestes a ser cercadas.

17:00 - Uma força de infantaria que avança em território soviético, seguindo o avanço dos blindados, é atacada por forças blindadas russas. Trata-se de forças blindadas do X exército soviético que desde manhã marcham para norte, quase sem combustível para encontrar os alemães. A maioria dos carros T-26 russos é derrotada pelos canhões de 37mm da infantaria alemã. É nesta altura que ocorre o primeiro recontro dos alemães com os tanques T-34. Os alemães apercebem-se de que os seus projecteis não conseguem perfurar a blindagem. Na maioria dos casos ressaltam.
Um disparo de 37mm danifica a torreta, mas o T-34 consegue esmagar a arma alemã passando por cima dela. Aparentemente os russos não têm munição adequada e o T-34 destroi os canhões de infantaria passando por cima deles.

18:00 - Ao fim do dia também se registam várias ações de contra-ataque por parte da aviação soviética, mas na maioria dos casos sem qualquer sucesso. Os caças mais modernos foram na maior parte dos casos destruidos. Na verdade os russos não gostavam dos novos caças que eram demasiado inseguros e no inicio de 1941 o nível de acidentes mensais estava em 600 (seiscentos). Os pilotos soviéticos atacam os Stukas com caças Polikarpov i-16. Os Me-109 respondem e são clramente superiores. Curiosamente, os i-16 utilizam uma táctica desenvolvida pelos russos em Espanha, que consistia em abalroar os caças alemães. Vista de terra essa táctica é vista como suicidio, no entanto, o i-16 era lento mas extremamente robusto, pelo que em teoria podia planar até ao chão depois de abalroar o caça alemão. O problema para os pilotos é que já combatiam sobre território controlado pelos alemães.

19:00 - No sector norte e central asas tropas alemãs continuam a avançar. Normalmente os tanques e viaturas blindadas na vanguarda já precisariam de reabastecimento de combust´viel, mas os tanques alemães têm a vantagem de ter um avanço planeado de antecedência. A maioria das viaturas leva um reboque com combustível. Enquanto os russos ficam parados nas pradarias com falta de combustível, os alemães continuam a avançar, porque levam gasolina de reserva. Mesmo que na retaguarda, os russos lhes cortem as linhas de abastecimento isso não detém os alemães.

23:00 - Quando ao fim do dia, decorre a reunião do pequeno conselho Hitler, tem razões para estar contente.
Os generais informam que na frente norte, os blindados de Von Kleist penetraram 60km em território russo e controlam o vital entroncamento de Airogala e estão já próximo a Vilnius.

No sector central (parte norte) os Panzer do general Hoth penetraram 90km e destroçaram grande parte do III exército soviético. Guderian, que trabalha em coordenação com Hoth, também teve sucesso, circundou Brest Litovsk e avançou 70km em território soviético.

A sul, na Ucrânia, o avanço é menor, porque havia mais tropas soviéticas e o alerta tinha sido mais eficiente. Alí o avanço limita-se a cerca de 20km.

Em todo o lado, a surpresa tática foi atingida e as tropas inimigas sofreram reveses terríveis. As tropas alemãs aproveitando a confusão, avançam mais, ao mesmo tempo que a aviação ataca os russos em retirada.

Ao fim do dia, os russos ainda não têm uma noção exacta do que se passa. Nos dias seguintes vão por isso continuar a fazer os mesmos erros e a permitir o avanço profundo das forças alemãs.

[1] – Existe uma hora de diferença entre Moscovo e Berlim

Operação Barbarossa O contra-ataque do desastre


Um dos segredos mais guardados durante o período soviético, foi a estrondosa incompetência dos serviços administrativos e logísticos do Estado Soviético, que se somou à absoluta inépcia das tropas russas, a que se juntou a péssima qualidade do material de guerra russo.

Desde a madrugada do dia 22 de Junho de 1941, e pelo menos até Agosto, quase tudo o que podia correr mal aos soviéticos, correu mal, ou desastrosamente mal.

As origens do problema estão no periodo imediatamente anterior à guerra, quando praticamente não havia um único serviço que não funcionasse mal, ou que sequer funcionasse, resultado das purgas e dos milhões de assassinatos levados a cabo pelo Partido Comunista soviético.
O exército não tinha oficiais de reserva para enviar para as unidades que tivessem perdido os seus, não havia um abrigo no Kremlin para que o próprio Estaline ficasse protegido dos bombardeamentos, o sistema de transporte ferroviário estava em completo colapso tornando impossível transportar forças de um ponto para o outro.

Até o sistema de segurança interna demonstrou estar a funcionar mal, porque permitiu que os alemães sabotassem na retaguarda muitas das linhas de comunicação soviéticas, tornando impossível o contacto entre as várias unidades do exército vermelho.

A incompetência criminosa dos dirigentes politico-militares soviéticos, reconhecida nestes exactos termos depois de 1992, foi igualmente razão de uma catástrofe, pois ordenaram-se contra ataques sem qualquer sentido do ponto de vista prático e sem o mínimo de lógica do ponto de vista militar. Desde o primeiro momento, a obsessão com o ataque nunca se considerou a possibilidade de utilizar a profundidade estratégica da Russia para permitir uma reorganização.

O exército vermelho não tinha um único plano defensivo e por isso atacou. Mas ao enviarem todas as tropas disponíveis para a frente, onde invariavelmente ficavam cercadas e eram aniquiladas, os dirigentes comunistas colaboraram indiretamente com os alemães.
A estupidez dos oficias russos chegou ao anedótico, já que levava a que estes desconfiassem das comunicações por rádio, por acharem que as comunicações não eram seguras dado as transmissões poderem ser captadas pelos alemães.
Os comandantes dos tanques BT-5, BT-7 e T-26 tinham o hábito de remover os radios para permitir a colocação de mais munição Também achavam que os rádios eram complicados e ocupavam espaço para munição.
Por estas razões os oficiais preferiam a comunicação por cabos telefónicos. Na noite de 21 de Junho, foi por isso muito fácil aos alemães desarticular as comunicações russas quando unidades especiais de sabotagem, cortaram os cabos de comunicações e de telefone civis e militares, deixando exércitos inteiros sem comunicação. Sem prática na comunicação rádio, os russos não sabiam onde estavam os alemães.

Pior ainda foi a desconfiança. Os russos estavam convencidos de que os alemães conseguiam facilmente descodificar as suas mensagens rádio (o que de fato acontecia) e desconfiavam das suas próprias mensagens legítimas. A descoordenação entre os dois exércitos do setor norte (8º e 11º) e a falta de comunicação desses dois exércitos com o quartel-general da frente Noroeste é prova disso.

A somar a isto, está a brutalidade de todo um sistema de planificação socialista, que exigia o cumprimento de metas de produção, sem ter em consideração a realidade da qualidade dos produtos componentes ou a formação técnica do pessoal das fábricas.
Os dirigentes dos complexos industriais soviéticos tinham que cumprir metas de produção em numeros de tanques, canhões, metralhadoras e aviões. Para atingirem esses numeros, a qualidade média dos equipamentos inevitavalmente era baixa.

Mas mais grave que isso, foi o que aconteceu com as peças de reposição para reparação de viaturas. Como era dificil cumprir as metas e os responsáveis davam mais importância ao numero de tanques produzido que ao numero de peças, a maioria das peças de reposição era utilizada em viaturas novas, para facilitar o atingir das metas estipuladas.

O resultado, foi que esta pressão acabou por restringir o numero de peças de reposição de tal forma, que o exército sovíetico tinha milhares de carros de combate parados, porque as fábricas não entregavam peças de reposição. A obsessão com os numeros, acabou por afectar de forma determinante a eficácia soviética.

Este problema de mentalidade, nunca foi resolvido no exército da União Sovietica e na sua estrutura industrial militar. Espantosamente mesmo após o colapso soviético, continua a ser fonte de problemas para o exército da Federação Russa.


Operação Barbarossa O contra-ataque do desastre


Se o ataque de 22 de Junho, permitiu aos alemães desferir um golpe profundo nos exércitos russos, a incompetência dos dirigentes russos nos dias que se seguiram, conseguiu piorar ainda mais uma situação que era desesperada desde a primeira hora. A frente ocidental, sob o comando do general Pavlov, é a que sofrerá o impacto direto do grupo central alemão, o mais poderoso de todos. O colapso da frente comandada por Pavlov, que conta com o III, X e IV exércitos e ainda com o XIII exército de reserva, é demonstrativa do que aconteceu praticamente em todo o lado em 22 de Junho de 1941 e nos caóticos dias que se seguiram.

A disposição dos exércitos russos é mista. Aparentemente Estaline preparava desde o inicio de 1941 um ataque contra a Alemanha. Este ataque, negado perentoriamente pelos soviéticos, é hoje claramente evidente quando se estuda a disposição das forças soviéticas.

Algumas das mais poderosas unidades do exército vermelho encontravam-se praticamente em cima da fronteira. Essas eram as unidades mais poderosas e aquelas que receberam o material mais moderno.

É essa colocação tática, que explica em grande parte porque as divisões blindadas do X exército, equipadas com tanques T-34 e KV-1 foram postas fora de ação praticamente no primeiro dia. Os alemães negaram combate com essas divisões e circundaram-nas, deixando os T-34 isolados.

Sabemos hoje, que o combustível disponível para estas unidades era já pouco quando os tanques se começaram a mover. O avanço muito rápido dos alemães, desorganizou a já de si débil e ineficiente estrutura logística soviética, fazendo com que grande parte dos carros soviéticos mais poderosos acabasse sendo destruída pelos próprios russos.

A situação do X exército do general Golubiev é prova deste raciocínio.
Golubiev tinha as suas divisões (entre as quais a 4ª divisão «Estaline» e os seus T-34) no chamado saliente de Bialystok. Os blindados alemães avançaram rapidamente e a meio da manhã já tinham penetrado muitos quilómetros em território russo, com as divisões do general Golubiev ainda junto à fronteira. Quando o general envia os seus tanques contra os alemães a norte, em Grodno, os alemães evitam o contacto e continuam a avançar.
Em vez de tentar bloquear o avanço alemão, cortando o abastecimento aos Panzer, os T-34 tentam perseguir os tanques alemães e gastam o resto do combustível.

A ordem dada por Estaline nos dias imediatamente a seguir ao ataque alemão, foi para que as forças dos exércitos da frente ocidental (comando de Pavlov, III, X e IV exércitos) avançassem sobre território alemão e tomassem a cidade de Suwalki (objectivo do X exército nos planos de ataque soviético anteriores à invasão).

As tropas receberam ordem para atacar, mas estavam completamente desorganizadas, não tinham combustível, aviação de reconhecimento (imprescindível para um ataque) e tinham perdido completamente o controlo do espaço aéreo. Ainda assim os russos atacam, mas com as suas forças completamente desorganizadas os ataques são facilmente contidos pelos alemães, que de seguida passam ao contra-ataque. Os comandos russos deram ordens para atacar, mas como não sabiam onde estavam os exércitos, não entenderam o perigo que significava uma derrota e só muito tarde se perceberam das consequências.

Exércitos de papel


Nos primeiros dias do conflito os generais russos moviam nos mapas divisões com as quais não havia contacto, ou divisões que havia já sido aniquiladas, numa antecipação do que aconteceria nos dias finais do III Reich. Na frente ocidental, o X exército, com duas das quatro mais poderosas forçamões blindadas soviéticas estava tão próximo à fronteira que ficou cercado no primeiro dia. O III exército foi destroçado pelos alemães e basicamente fugiu desordenadamente. Dos três exércitos da frente central, apenas o IV exército conseguiu recuar para Sloutsk a sul de Minsk e organizar uma defesa mínima.

O resultado do contra-ataque ordenado por Estaline foi dramático. O XI exército fora forçado a retirar para nordeste no primeiro dia, O III exército fora empurrado para sudeste, o X exército ficou praticamente paralisado e ainda mais isolado. Resultado disto, abriu-se na frente central russa uma brecha enorme com cerca de 100km de largura, na qual se encontrava a estrada para Minsk, a capital da Bielorrussa.

Os russos, abriram praticamente a porta aos exércitos alemães.

A 24 de Junho, a meio da tarde, foi dada ordem para evacuar Minsk. A evacuação aumentou ainda mais a confusão, tornando a defesa da cidade pelos militares ainda mais difícil. No meio de toda esta confusão, ainda havia comandantes soviéticos, dispostos a voar até Bialystok, para tentar encontrar o X exército e perceber o que tinha acontecido.
Foi o caso do próprio comandante da frente central, Dimitri Pavlov, que foi convencido a não voar para Bialystok onde queria ir encontrar o X exército. Pavlov sabia o que lhe poderia acontecer, como de fato aconteceu. Seria preso e fuzilado em 22 de Julho de 1941, exatamente um mês após o ataque alemão.

Mas a 25 de Junho, o problema já não era ir até Bialystok, era fugir de Minsk, à medida que os alemães avançavam sem que nada os conseguisse parar.

Apenas o IV exército que se encontrava a sul da cidade tinha alguma capacidade de combate. O XIII exército de reserva, é chamado a atuar, mas trata-se de um exército em formação, criado havia seis semanas e praticamente não tem forças, embora já esteja assinalado nos mapas dos comandantes russos. O XIII exército é enviado para Molodechno, 70km a noroeste de Minsk e recebe o impacto do grosso dos blindados do III exército Panzer do general Hoth.

No entanto, numa das refregas, os russos capturam o plano de ação do exército alemão e pela primeira vez um oficial russo tem uma noção de conjunto do que se passa, percebendo que a frente central recebeu o impacto de metade dos tanques alemães engajados no ataque, os quais avançam sobre Minsk vindos de duas dirações distintas.
No meio da confusão o Gen Pavlov, comandante do grupo central abandona Minsk no dia 25, retira para Bobruisk e depois novamente para Mogilev. Perde quase dois dias na retirada do posto de comando para leste e perde ainda mais o contacto com o que se passa na frente.

Frente Sul

Por várias razões, na frente sul, as atividades alemãs não foram tão eficientes na destruição das comunicações, pelo que o numero de unidades que estavam alerta na madrugada de 22 de Junho era maior.
Mas mesmo tendo resistido melhor e cedido menos terreno (em média 20km contra 60 a 80km nas duas outras frentes) a situação era má e os alemães ameaçavam avançar profundamente. A aviação soviética não tinha escapado à carnificina das primeiras horas e os alemães tinham completo domínio dos ceus.

Mas Estaline, ordena que o 5º e o 6º exércitos executem no dia 24 um ataque coordenado contra a cidade de Lublin, como estava delineado nos planos soviéticos de invasão da Alemanha. Mas nessa altura, dois dias após a invasão alemã, esses dois exércitos estão separados entre si, e qualquer coordenação é impossível.

Os militares soviéticos na frente sul consideram que a única coisa que é possível fazer é defender, mas mais uma vez as ordens para atacar vêm complicar tudo e tornar a defesa impossível, para não falar no totalmente inviável ataque.

Para atacar os alemães vão ser utilizados dois corpos de exército blindados, que são no exército vermelho uma novidade e fará ataques seletivos contra as forças alemãs, mas a arma blindada soviética está mais desenvolvida nos gabinetes de engenharia que nas cabeças dos generais. Além disso, as forças não têm numero suficiente de camiões, têm falta de combustível e munição suficiente para um ataque continuado.

Parte dos oficiais russos considera que o ataque será um suicídio, destinado apenas a cumprir ordens vindas de Estaline. As forças estão condenadas à derrota. Ainda assim, cumprem as ordens e organizam um contra-ataque, movendo as forças blindadas de que dispõem. Porém, como era inevitável a operação é um fracasso. Como ninguém sabe exactamente onde estão os alemães, os tanques andam durante centenas de quilometros até encontrar forças alemãs significativas.

A logística do exército vermelho, que não funcionava em tempo de paz, pura e simplesmente desapareceu em tempo de guerra. Em tempo de paz não havia peças para reparar os tanques, que avariam com grande frequência, em tempo de guerra, ocorre a mesma coisa. Os tanques são abandonados e destruidos quando é possível. Como se gastou todo o combustível e munição, as guarnições não têm como destruir os veículos


[1] – Existe uma hora de diferença entre Moscovo e Berlim

Operação Barbarossa dados adicionais


Nenhuma guerra europeia, foi alvo de uma campanha de dissimulação e mentira mais eficiente que o conflito na frente leste.

Após a derrota da Alemanha nenhuma outra voz, nenhuma outra análise, nenhum outro comentário foi permitido pela gigantesca máquina de terror e propaganda do estado soviético.

A história oficial da «Grande Guerra Patriótica», transformou-se assim não num conjunto de documentos históricos que permitissem uma análise coerente, mas numa gigantesca operação de manipulação e mentira, destinada a ocultar a incompetência, o laxismo, e a estupidez pura e simples dos dirigentes políticos e militares comunistas.

De entre o interminável número de mentiras que o Partido Comunista da União Soviética inventou, destacamos um pequeno número.

A preparação de um ataque preventivo contra Hitler: Operação BURIAN

Negado desde o inicio, é hoje claro pela análise das posições que o exército vermelho tomou, que Estaline se preparava para organizar um ataque à Alemanha. É voz corrente que Estaline acreditaria que a Alemanha preparava um ataque em Maio de 1942 e queria ganhar tempo. No entanto, há indícios que demonstram que as ordens dadas entre Maio e Junho de 1941 para que os comandos dos grupos de exércitos soviéticos fossem transferidos para próximo da fronteira se destinavam a facilitar as operações de invasão. A operação tinha mesmo um nome «Operação Burian».

As aeronaves soviéticas tinham uma raio de ação relativamente limitado e precisavam estar próximo da fronteira. Muitos aeródromos ainda estavam em construção e os que estavam construidos na fronteira estavam superlotados. Isto foi evidente em 22 de Junho, quando os próprios alemães ficaram espantados com a quantidade de aviões que os soviéticos tinham rigorosamente alinhados.

Estaline dera ordem para a formação de corpos de exército mecanizados. O exército soviético não tinha este tipo de organização de forças, mas tinha começado a desenvolve-la durante a 1ª metade de 1941. Os corpos mecanizados (normalmente compostos por duas divisões blindadas e uma de infantaria) receberam os carros de combate mais modernos. A esmagadora maioria dos T-34 e KV-1 estavam nestas grandes unidades.

Estas unidades estavam todas colocadas nos dois grandes «salientes» junto da fronteira (Bialystok e Prsemyzl).

É por estarem junto à fronteira que estas unidades blindadas são cercadas, facilitando muito a sua destruição, quando os tanques ficam sem combustível ou sem munição.

O mito do T-34 e dos blindados soviéticos antiquados

A comparação entre os meios militares alemães e soviéticos sempre espantou os observadores, especialmente por causa da grande desproporção numérica entre os carros russos (mais de 20,000) e os alemães (cerca de 3,000).

A somar a isto, sabe-se que em Junho de 1941 os dois mais poderosos tanques do mundo eram, sem dúvida o tanque médio russos T-34/76 e o tanque pesado russo KV-1 (não obstante estar equipado com a mesma arma principal o KV-1 era muito mais blindado).

O que normalmente é esquecido, é que os carros leves soviéticos T-26 e os médios BT-5 e BT-7 não eram assim tão inferiores aos tanques alemães.

De fato, durante a guerra civil de Espanha, os alemães tinham enviado para ajudar Franco, carros Panzer-I e Panzer-II, armados respetivamente com uma metralhadora de 7,9mm e com um canhão de 20mm.

Contra eles a República Espanhola alinhou os carros leves T-26, armados com um canhão de 45mm e os BT-5, equipados com o mesmo armamento.

Os alemães estudaram os tanques russos e de imediato recomendaram um aumento na blindagem dos seus carros de combate, para poder responder à arma russa de 45mm. No entanto, ainda assim mesmo os Panzer III alemães podiam ter a sua blindagem perfurada pela arma russa.

Os russos, possuindo o material mais poderoso, ainda assim optaram por desenvolver tanques mais eficazes mas mantendo em produção o BT-5 / BT-7 e introduzindo os T-34 e KV-1.

Os generais soviéticos foram os primeiros a afirmar a fraca qualidade dos tanques T-26 e BT-7.

Na verdade, quando comparamos as características das viaturas, não chegamos a essa conclusão.

O BT-7 estava em desvantagem perante os Panzer III (com arma de 50mm), mas essa desvantagem não era absoluta. O tanque russo era menos blindado, mas ao mesmo tempo tinha a vantagem da superior velocidade (62km/h contra 39km/h). É no entanto verdade que enquanto os alemães optaram por melhorar a blindagem dos seus tanques Panzer-III e Panzer 38(t) os soviéticos optaram por um caminho diferente: O desenho de novas viaturas.

Com uma blindagem frontal de 22mm e lateral de 15mm o BT-7 era inferior ao Panzer-III Ausf.G que tinha uma blindagem frontal de 30mm, mas na blindagem lateral, a viatura russa tinha uma blindagem idêntica à maioria dos tanques alemães.

Os generais soviéticos sabiam disto, mas não utilizaram as viaturas que tinham à disposição, porque toda a doutrina e táticas associadas, desenvolvidas pelos estrategas soviéticos, previam que o exército vermelho atacasse e nunca tivesse que se defender.

Esse erro resultou trágico, porque mesmo os BT-7 ou T-26 poderiam ter sido utilizados de forma mais vantajosa, especialmente na fase inicial do conflito nas áreas onde a vegetação era mais propícia à sua utilização.

A afirmação de que os T-26 e BT-7 eram «tanques para caçar pardais» não procede porque a arma principal de 45mm destes carros de combate disparava um projectil a 720m/s, pouco menos que a velocidade de 762m/s do canhão de 37mm da maior parte dos tanques alemães.

Era no entanto muito inferior à velocidade de 1060m/s dos canhões de 50mm dos Panzer-III modelo G.

Já o T-34, mesmo com o canhão de 76mm L/11 de cano curto, podia perfurar uma placa de 62mm a 1,000m de distância. Ora a blindagem frontal dos tanques III alemães estava limitada a 50mm. Por isto, o T-34 podia destruir qualquer carro de combate alemão a 1,000m de distância.

Já a sua blindagem frontal de 45mm era superior à de todos os veículos alemães, especialmente por causa da sua inclinação.

Mas a qualidade muito publicitada do T-34 não explica a catástrofe que afectou toda a arma blindada soviética nos primeiros meses de 1941.

Os tanques modernos estavam espalhados em pequenas unidades

Durante muito tempo aceitou-se a tese de que os tanques T-34 e KV-1 tinham sido distribuídos em pequenas quantidades e estavam sempre em inferioridade numérica. Este mito destinava-se a suportar a tese da superioridade técnica da industria soviética explicando ao mesmo tempo que mesmo os mais poderosos tanques da frente leste em 1941 tivessem sido dizimados.

Mas quando as verdadeiras ordens de batalha do exército vermelho são consultadas, verifica-se que na realidade praticamente todos os tanques modernos (T-34/76 e KV-1) na frente ocidental estavam concentrados em dois corpos de exército, cada um deles com duas divisões de tanques. Esses dois corpos estavam por sua vez incluidos no X exército soviético, aquele que se encontrava mais avançado no saliente de Bialystok na fronteira no sector central e no VI exército que também se encontrava no saliente do sector sudoeste, projectado sobre território da Polónia ocupada.

Contribuiu para esta fraude, um facto que durante muitos anos foi convenientemente esquecido:

Na frente sul, a mais poderosa unidade blindada soviética, era o 4º corpo mecanizado. O 4º corpo, que fazia parte do VI exército, concentra um grande numero de carros de combate dos mais modernos, T-34 e KV-1. Ocorre que a comandar esse grande corpo de exército (que contava com quase 40% de todos os tanques modernos soviéticos), estava o tenente-general Andrei Vlasov.

Vlasov, foi um nome maldito no exército vermelho, por ter desertado para o lado alemão e formado um exército russo anti-comunista. Como a ordem após a II guerra mundial foi a de varrer Vlasov da História, junto com Vlasov foram varridos da Ordem de Batalha quase 40% dos tanques T-34 e KV-1 do exército vermelho.

Os números totais de carros de combate modernos foram acertados com a indicação de que havia algumas centenas de tanques modernos espalhados por todas as unidades. Hoje sabemos que isso não era verdade, já que todos os tanques modernos estavam concentrados em dois corpos de exército (quatro divisões).

Os generais soviéticos foram os primeiros a afirmar a fraca qualidade dos tanques T-26 e BT-7.

Na verdade, quando comparamos as características das viaturas, não chegamos a essa conclusão.

O BT-7 estava em desvantagem perante os Panzer III (com arma de 50mm), mas essa desvantagem não era absoluta. O tanque russo era menos blindado, mas ao mesmo tempo tinha a vantagem da superior velocidade (62km/h contra 39km/h). É no entanto verdade que enquanto os alemães optaram por melhorar a blindagem dos seus tanques Panzer-III e Panzer 38(t) os soviéticos optaram por um caminho diferente: O desenho de novas viaturas.

Com uma blindagem frontal de 22mm e lateral de 15mm o BT-7 era inferior ao Panzer-III Ausf.G que tinha uma blindagem frontal de 30mm, mas na blindagem lateral, a viatura russa tinha uma blindagem idêntica à maioria dos tanques alemães.

Os generais soviéticos sabiam disto, mas não utilizaram as viaturas que tinham à disposição, porque toda a doutrina e táticas associadas, desenvolvidas pelos estrategas soviéticos, previam que o exército vermelho atacasse e nunca tivesse que se defender.

Esse erro resultou trágico, porque mesmo os BT-7 ou T-26 poderiam ter sido utilizados de forma mais vantajosa, especialmente na fase inicial do conflito nas áreas onde a vegetação era mais propícia à sua utilização.

A afirmação de que os T-26 e BT-7 eram «tanques para caçar pardais» não procede porque a arma principal de 45mm destes carros de combate disparava um projectil a 720m/s, pouco menos que a velocidade de 762m/s do canhão de 37mm da maior parte dos tanques alemães.

Era no entanto muito inferior à velocidade de 1060m/s dos canhões de 50mm dos Panzer-III modelo G.

Já o T-34, mesmo com o canhão de 76mm L/11 de cano curto, podia perfurar uma placa de 62mm a 1,000m de distância. Ora a blindagem frontal dos tanques III alemães estava limitada a 50mm. Por isto, o T-34 podia destruir qualquer carro de combate alemão a 1,000m de distância.

Já a sua blindagem frontal de 45mm era superior à de todos os veículos alemães, especialmente por causa da sua inclinação.

Mas a qualidade muito publicitada do T-34 não explica a catástrofe que afectou toda a arma blindada soviética nos primeiros meses de 1941.

Os tanques modernos estavam espalhados em pequenas unidades
Durante muito tempo aceitou-se a tese de que os tanques T-34 e KV-1 tinham sido distribuídos em pequenas quantidades e estavam sempre em inferioridade numérica. Este mito destinava-se a suportar a tese da superioridade técnica da industria soviética explicando ao mesmo tempo que mesmo os mais poderosos tanques da frente leste em 1941 tivessem sido dizimados.

Mas quando as verdadeiras ordens de batalha do exército vermelho são consultadas, verifica-se que na realidade praticamente todos os tanques modernos (T-34/76 e KV-1) na frente ocidental estavam concentrados em dois corpos de exército, cada um deles com duas divisões de tanques. Esses dois corpos estavam por sua vez incluidos no X exército soviético, aquele que se encontrava mais avançado no saliente de Bialystok na fronteira no sector central e no VI exército que também se encontrava no saliente do sector sudoeste, projectado sobre território da Polónia ocupada.

Contribuiu para esta fraude, um facto que durante muitos anos foi convenientemente esquecido:

Na frente sul, a mais poderosa unidade blindada soviética, era o 4º corpo mecanizado. O 4º corpo, que fazia parte do VI exército, concentra um grande numero de carros de combate dos mais modernos, T-34 e KV-1. Ocorre que a comandar esse grande corpo de exército (que contava com quase 40% de todos os tanques modernos soviéticos), estava o tenente-general Andrei Vlasov.

Vlasov, foi um nome maldito no exército vermelho, por ter desertado para o lado alemão e formado um exército russo anti-comunista. Como a ordem após a II guerra mundial foi a de varrer Vlasov da História, junto com Vlasov foram varridos da Ordem de Batalha quase 40% dos tanques T-34 e KV-1 do exército vermelho.

Os números totais de carros de combate modernos foram acertados com a indicação de que havia algumas centenas de tanques modernos espalhados por todas as unidades. Hoje sabemos que isso não era verdade, já que todos os tanques modernos estavam concentrados em dois corpos de exército (quatro divisões).

Os generais soviéticos foram os primeiros a afirmar a fraca qualidade dos tanques T-26 e BT-7.

Na verdade, quando comparamos as características das viaturas, não chegamos a essa conclusão.

O BT-7 estava em desvantagem perante os Panzer III (com arma de 50mm), mas essa desvantagem não era absoluta. O tanque russo era menos blindado, mas ao mesmo tempo tinha a vantagem da superior velocidade (62km/h contra 39km/h). É no entanto verdade que enquanto os alemães optaram por melhorar a blindagem dos seus tanques Panzer-III e Panzer 38(t) os soviéticos optaram por um caminho diferente: O desenho de novas viaturas.

Com uma blindagem frontal de 22mm e lateral de 15mm o BT-7 era inferior ao Panzer-III Ausf.G que tinha uma blindagem frontal de 30mm, mas na blindagem lateral, a viatura russa tinha uma blindagem idêntica à maioria dos tanques alemães.

Os generais soviéticos sabiam disto, mas não utilizaram as viaturas que tinham à disposição, porque toda a doutrina e táticas associadas, desenvolvidas pelos estrategas soviéticos, previam que o exército vermelho atacasse e nunca tivesse que se defender.

Esse erro resultou trágico, porque mesmo os BT-7 ou T-26 poderiam ter sido utilizados de forma mais vantajosa, especialmente na fase inicial do conflito nas áreas onde a vegetação era mais propícia à sua utilização.

A afirmação de que os T-26 e BT-7 eram «tanques para caçar pardais» não procede porque a arma principal de 45mm destes carros de combate disparava um projectil a 720m/s, pouco menos que a velocidade de 762m/s do canhão de 37mm da maior parte dos tanques alemães.

Era no entanto muito inferior à velocidade de 1060m/s dos canhões de 50mm dos Panzer-III modelo G.

Já o T-34, mesmo com o canhão de 76mm L/11 de cano curto, podia perfurar uma placa de 62mm a 1,000m de distância. Ora a blindagem frontal dos tanques III alemães estava limitada a 50mm. Por isto, o T-34 podia destruir qualquer carro de combate alemão a 1,000m de distância.

Já a sua blindagem frontal de 45mm era superior à de todos os veículos alemães, especialmente por causa da sua inclinação.

Mas a qualidade muito publicitada do T-34 não explica a catástrofe que afectou toda a arma blindada soviética nos primeiros meses de 1941.

Os tanques modernos estavam espalhados em pequenas unidades
Durante muito tempo aceitou-se a tese de que os tanques T-34 e KV-1 tinham sido distribuídos em pequenas quantidades e estavam sempre em inferioridade numérica. Este mito destinava-se a suportar a tese da superioridade técnica da industria soviética explicando ao mesmo tempo que mesmo os mais poderosos tanques da frente leste em 1941 tivessem sido dizimados.

Mas quando as verdadeiras ordens de batalha do exército vermelho são consultadas, verifica-se que na realidade praticamente todos os tanques modernos (T-34/76 e KV-1) na frente ocidental estavam concentrados em dois corpos de exército, cada um deles com duas divisões de tanques. Esses dois corpos estavam por sua vez incluidos no X exército soviético, aquele que se encontrava mais avançado no saliente de Bialystok na fronteira no sector central e no VI exército que também se encontrava no saliente do sector sudoeste, projectado sobre território da Polónia ocupada.

Contribuiu para esta fraude, um facto que durante muitos anos foi convenientemente esquecido:

Na frente sul, a mais poderosa unidade blindada soviética, era o 4º corpo mecanizado. O 4º corpo, que fazia parte do VI exército, concentra um grande numero de carros de combate dos mais modernos, T-34 e KV-1. Ocorre que a comandar esse grande corpo de exército (que contava com quase 40% de todos os tanques modernos soviéticos), estava o tenente-general Andrei Vlasov.

Vlasov, foi um nome maldito no exército vermelho, por ter desertado para o lado alemão e formado um exército russo anti-comunista. Como a ordem após a II guerra mundial foi a de varrer Vlasov da História, junto com Vlasov foram varridos da Ordem de Batalha quase 40% dos tanques T-34 e KV-1 do exército vermelho.

Os números totais de carros de combate modernos foram acertados com a indicação de que havia algumas centenas de tanques modernos espalhados por todas as unidades. Hoje sabemos que isso não era verdade, já que todos os tanques modernos estavam concentrados em dois corpos de exército (quatro divisões).

Os generais soviéticos foram os primeiros a afirmar a fraca qualidade dos tanques T-26 e BT-7.

Na verdade, quando comparamos as características das viaturas, não chegamos a essa conclusão.

O BT-7 estava em desvantagem perante os Panzer III (com arma de 50mm), mas essa desvantagem não era absoluta. O tanque russo era menos blindado, mas ao mesmo tempo tinha a vantagem da superior velocidade (62km/h contra 39km/h). É no entanto verdade que enquanto os alemães optaram por melhorar a blindagem dos seus tanques Panzer-III e Panzer 38(t) os soviéticos optaram por um caminho diferente: O desenho de novas viaturas.

Com uma blindagem frontal de 22mm e lateral de 15mm o BT-7 era inferior ao Panzer-III Ausf.G que tinha uma blindagem frontal de 30mm, mas na blindagem lateral, a viatura russa tinha uma blindagem idêntica à maioria dos tanques alemães.

Os generais soviéticos sabiam disto, mas não utilizaram as viaturas que tinham à disposição, porque toda a doutrina e táticas associadas, desenvolvidas pelos estrategas soviéticos, previam que o exército vermelho atacasse e nunca tivesse que se defender.

Esse erro resultou trágico, porque mesmo os BT-7 ou T-26 poderiam ter sido utilizados de forma mais vantajosa, especialmente na fase inicial do conflito nas áreas onde a vegetação era mais propícia à sua utilização.

A afirmação de que os T-26 e BT-7 eram «tanques para caçar pardais» não procede porque a arma principal de 45mm destes carros de combate disparava um projectil a 720m/s, pouco menos que a velocidade de 762m/s do canhão de 37mm da maior parte dos tanques alemães.

Era no entanto muito inferior à velocidade de 1060m/s dos canhões de 50mm dos Panzer-III modelo G.

Já o T-34, mesmo com o canhão de 76mm L/11 de cano curto, podia perfurar uma placa de 62mm a 1,000m de distância. Ora a blindagem frontal dos tanques III alemães estava limitada a 50mm. Por isto, o T-34 podia destruir qualquer carro de combate alemão a 1,000m de distância.

Já a sua blindagem frontal de 45mm era superior à de todos os veículos alemães, especialmente por causa da sua inclinação.

Mas a qualidade muito publicitada do T-34 não explica a catástrofe que afectou toda a arma blindada soviética nos primeiros meses de 1941.

Os tanques modernos estavam espalhados em pequenas unidades
Durante muito tempo aceitou-se a tese de que os tanques T-34 e KV-1 tinham sido distribuídos em pequenas quantidades e estavam sempre em inferioridade numérica. Este mito destinava-se a suportar a tese da superioridade técnica da industria soviética explicando ao mesmo tempo que mesmo os mais poderosos tanques da frente leste em 1941 tivessem sido dizimados.

Mas quando as verdadeiras ordens de batalha do exército vermelho são consultadas, verifica-se que na realidade praticamente todos os tanques modernos (T-34/76 e KV-1) na frente ocidental estavam concentrados em dois corpos de exército, cada um deles com duas divisões de tanques. Esses dois corpos estavam por sua vez incluidos no X exército soviético, aquele que se encontrava mais avançado no saliente de Bialystok na fronteira no sector central e no VI exército que também se encontrava no saliente do sector sudoeste, projectado sobre território da Polónia ocupada.

Contribuiu para esta fraude, um facto que durante muitos anos foi convenientemente esquecido:

Na frente sul, a mais poderosa unidade blindada soviética, era o 4º corpo mecanizado. O 4º corpo, que fazia parte do VI exército, concentra um grande numero de carros de combate dos mais modernos, T-34 e KV-1. Ocorre que a comandar esse grande corpo de exército (que contava com quase 40% de todos os tanques modernos soviéticos), estava o tenente-general Andrei Vlasov.

Vlasov, foi um nome maldito no exército vermelho, por ter desertado para o lado alemão e formado um exército russo anti-comunista. Como a ordem após a II guerra mundial foi a de varrer Vlasov da História, junto com Vlasov foram varridos da Ordem de Batalha quase 40% dos tanques T-34 e KV-1 do exército vermelho.

Os números totais de carros de combate modernos foram acertados com a indicação de que havia algumas centenas de tanques modernos espalhados por todas as unidades. Hoje sabemos que isso não era verdade, já que todos os tanques modernos estavam concentrados em dois corpos de exército (quatro divisões).

Operação Barbarossa Considerações finais

As fontes que é possível consultar sobre a II guerra mundial são vastíssimas e qualquer estudioso sobre este tema já se apercebeu disso.

O que também se apercebeu, foi da diferença que encontramos entre as publicações anteriores ao colapso da União Soviética e aquelas que começaram a ser publicadas após aquele acontecimento.

Ainda que fosse normalemnte aceite que a Grande História Patriótica tinha sido tremendamente «trabalhada» para dar ao leitor soviético a ideia de que a URSS tinha ganho a guerra sozinha, havia muitos factos que, por absoluta falta de dados que não fossem soviéticos, tiveram que ser aceites.

Alguns dos dados referidos nestas poucas páginas, têm como referência publicações anteriores à queda da URSS mas também publicações posteriores. As mais importantes são listadas em seguida:


«History of the German General Staff», ed.Praeger, NY 1953

«Memórias de um Soldado» - Gen. H.Guderian 1956

«Marechal Paulus» - Walter Gorlitz – ed.Fayard, Paris 1961

«Quando Hitler atacou a leste», P.Rondiere. D.Quixote,1972

«Tank War» - Janusz Piekalkiewicz, NY, 1986

«Carri Armati», Keneth Macksey, Fratelli Melita, La Spezia IT, 1991

«Tanks of World War II», Chris Ellis, Chancelor Press, 1997

«Ostfront», Charles Winchester, Osprey, UK 1998

«Operation Barbarossa», Robert Kirchubel, Osprey Publishing, 2003

«Russia 1941-1942 – Blitzkrieg», Will Fowler, Ian Allan Pub, UK 2003

«Hitler's secret headquarters», W.Seidler + Dieter Zeigert, Greenhill books, 2004

«The Rise and fall of the III Reich» - Willian Shirer, B&N, NY 2005

«Stalin's Follie», Konstantin Pleshakov, Houghton Mifflin, NY, 2005

«Companion to the Red Army» - S Zaloga, History Press, 2009


Notas finais.

Como era de esperar, há dados de algumas publicações que aparentemente entram em conflito com os dados de outras. Isto deve-se ao facto de terem sido publicadas em periodos distintos, separadas por muitas décadas. Mas quando conjugamos datas, nomes, horas e referências adicionais, conseguimos uma visão global sobre o que aconteceu a 22 de Junho de 1941.

Durante muitos anos, criou-se a ideia de que a União Soviética era dona de uma superioridade moral sobre os restantes países que tinham ganho a guerra contra a Alemanha Nazi, porque tinha tido mais mortos que todos os outros países europeus juntos.

Temos que lembrar que a vida humana é um valor absoluto, e uma única morte, é uma morte a mais.

Mas em face de tudo o que hoje se conhece, e perante aquela que foi a maior operação de fraude histórica da Historia dos conflitos humanos[1], não seria honesto deixar de lembrar que grande parte das vítimas soviéticas da guerra, foram provocadas pela incúria, pelo comportamento absurdo, anacrónico, paranoico e em imensos casos pura e simplesmente criminoso dos dirigentes soviéticos.

Esse comportamento seria uma característica de todas as operações militares do país de Estaline, independentemente de terem terminado em derrota ou em vitória, independentemente da dificuldade previsível da operação. A falta de qualquer espirito racional tatico, o absoluto desrespeito pelas mais elementares regras ou precauções em tempo guerra, foram os principais responsáveis pela perda de vidas.
Não é por isso absurdo afirmar, que Estaline com a sua paranoia e incompetência a raiar a loucura, terá provocado mais vítimas ao seu exército que os soldados alemães, húngaros, italianos, espanhóis romenos ou finlandeses que combateram na frente leste contra os russos.

Percebemos hoje, como é que foi possível que na frente sul, onde a surpresa tinha sido menor, ainda assim as tropas soviéticas fossem vencidas, porque ao lado dos alemães estavam as milicias anti-comunistas da Ucrânia, algo que foi sempre escondido pelos líderes comunistas.

Percebemos hoje como é que o exército com mais e melhores tanques foi derrotado em poucos dias, porque percebemos que na realidade as suas forças tinham sido dispostas não em profundidade como se pensava, mas muito ao contrário, coladas à fronteira aguardando ordens de ataque e correndo o risco de ficarem cercadas em caso de ataque (como veio a acontecer).

Percebemos hoje, porque é que perante uma catástrofe de proporções diluvianas, Estaline continuou a pedir secretamente clemência a Hitler até Setembro de 1941, insistindo em oferecer terras russas aos alemães, para que estes cancelassem a operação Barbarossa.
E percebemos enfim, a irritação de Estaline, que foi convencido por britânicos e americanos a não se render, dando a Estaline a contrapartida de uma ajuda macissa que não chegou em tempo útil, para evitar que os alemães penetrassem profundamente na Rússia.

Todos estes fatos, que podemos lentamente organizar para permitir ao leigo entender o que se passou, permitem também ter uma ideia genérica sobre o que ocorreu posteriormente durante todo o conflito até Maio de 1945.

Muitas das características e comportamentos do exército vermelho, são identificáveis ainda hoje ( passado que foi o período de governo comunista ), no exército da federação russa. Nada têm a ver com o sistema político, mas sim com o espírito nacionalista, condicionado pela moral da igreja ortodoxa russa.

21 de Junho de 2011



[1] - Referimo-nos naturalmente à «História da Grande Guerra Patriótica», a versão soviética da História da II guerra mundial

Autor: Paulo Mendonça

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