Caças FX-2 - Componente política e transferência tecnológica



Caças FX-2 - Componente política e transferência tecnológica

Num negócio da magnitude do FX2, é inevitável que outros factores para além do militar acabem por ter uma influência na decisão.
A FAB ao evitar escolher um candidato, delega na liderança política essa decisão, e esta (além dos pormenores técnicos de cada aeronave), avalia também o relacionamento com o pais de origem numa perspectiva geoestratégica.
Mas, também avalia o impacto que essa compra possa ter a nível de contrapartidas industriais, sempre importantes para potenciar a economia brasileira, assim como na transferência de tecnologias aeronáuticas, numa perspectiva de saltar os vários estágios de investigação necessários para atingir a maturidade tecnológica de diversos componentes, sendo o objectivo final do Brasil adquirir competências que lhe permitam desenvolver autonomamente aeronaves de alta capacidade militar, uma capacidade ao alcance de poucas nações.


O Rafale e a França, representam uma relação estável e que já dura há décadas. França e Brasil já têm parceria nos submarinos, e a transferência de tecnologias nesta área irá dar os seus frutos em breve. Além disso, a França tem fornecido ao Brasil os principais vectores de defesa como o Mirage III e mais recentemente o Mirage 2000, não tendo havido problemas logísticos ou de qualidade de fabrico.
Porém...com o FX2 pretende-se ir muito além destes últimos caças, e as tecnologias a transferir estão entre as mais sensíveis na área militar. Sistemas de Radar, Motores e Técnicas de redução de Assinatura Radar, entre outros. Basta verificar as dificuldades que a Índia tem tido com o seu motor Kaveri para se perceber a dificuldade de desenvolver autonomamente essa tecnologia.

A própria China, mesmo praticando «reversed-engineering» de motores russos, ainda está longe de conseguir produzir um motor com qualidade. É um processo longo, complexo e caro.

Com as tecnologias electrónicas passa-se o mesmo. Desenvolver um radar AESA é um processo que só agora começa a ter resultados, e são ainda muito poucos os radares dessa classe desenvolvidos. A França pode ter aqui um papel primordial, no entanto, até onde está a França disponível para partilhar conhecimentos considerados segredo de estado?

Nesse mesmo campo...a Suécia já demonstrou uma grande abertura com o projecto R-99, esse mesmo aparelho tem sido vendido a países como a Grécia e México e é um bom exemplo de cooperação tecnológica numa área bastante sensível. No entanto, o Gripen NG é um avião com muitos componentes de origem não-sueca (como por exemplo o motor F414-G), e essas tecnologias não poderão ser partilhadas com o Brasil. Além disso, o peso do relacionamento com a Suécia é relativamente reduzido em termos internacionais.

O Super Hornet possui um elevado conjunto de tecnologias de ponta em estado de maturidade comprovada em combate. Porém, os norte-americanos têm tido uma política muito reservada na hora de transferir tecnologias sensíveis , e apesar da abertura demonstrada nos últimos tempos, resta saber até onde irão partilhar os seus conhecimentos tecnológicos.

No que toca ao fornecimento logístico, têm surgido preocupações nos mídia brasileiros acerca da hipótese de um embargo (como aconteceu com Índia, Paquistão,...), que acabe por imobilizar as aeronaves responsáveis pela defesa do pais. No entanto, o Brasil já é cliente dos E.U.A. há muito tempo (caso dos F-5,...) e nunca houveram problemas nesse campo, nem é de prever que os venham a haver no futuro.


Além destes pontos, existe também a questão Geoestratégica. Apesar de ser um parceiro de topo do Brasil, os E.U.A. sempre tiveram uma política para com os países da América Latina que preconizava um certo grau de arrogância, outras vezes indiferença. Aparentemente a presidência de Obama está a tomar um novo rumo na abordagem à América Latina, mas até que ponto estarão dispostos a ir? Autorizará o Congresso norte-americano a transferência de tecnologias de ponta?

Título: Os caças do FX-2

Autor: Ricardo Silva










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